29.8.05

Cultura de massa e a telenovela brasileira

Cultura de massa e a telenovela brasileira

Paloma Nogueira



Industria cultural foi um termo criado pelos filósofos Hokheimer e Adorno para falar sobre as manifestações culturais ocorridas pelo surgimento das indústrias do entretenimento na Europa e nos EUA no final do século XIX e início do século XX.
A cultura de massa é também chamada de industria cultural, pois envolve uma variedade de produtos, abrangendo setores de moda, música, lazer, espetáculos públicos, literatura, imprensa, etc. que influenciam de forma direta ou indiretamente na vida da sociedade, tendo como objetivo a obtenção de lucro.
A televisão brasileira é um excelente exemplo para falarmos de cultura de massa, pois o seu objetivo a atingir o maior número de telespectadores no país, que, por sua vez, é constituído por um marcante traço da cultura popular. Para esse consumidor, o gosto narrativo episódico é muito forte. O que explica o grande sucesso das telenovelas brasileiras.
A Rede Globo é a emissora que mais produz novelas. São exibidas cinco telenovelas por dia, sempre tratando de questões atuais, polemizando ou até banalizando uma situação. À tarde sempre exibe reprise de novelas que foram um grande sucesso. No final da tarde é voltado para o público adolescente. Malhação é o nome da "pré-novela" que trata de situações vividas por adolescentes de classe média alta, ditando uma nova forma de agir, pensar e vestir que está além da realidade da maioria da população do país. Logo depois entra no ar outra novela conhecida como novela das seis. Dessa vez o público alvo são pessoas mais idosas. Geralmente é abordado tema de caráter conservador. Depois, entra uma outra novela. Essa de caráter mais cômico e muitas vezes fantasioso, com a intenção de atingir as pessoas que chegam em casa depois de um dia de trabalho. No horário nobre, por volta das nove horas da noite, são exibidas novelas mais bem produzidas, tratando de temas atuais de caráter social, voltado para o publico mais maduro.
Em todas as tramas é observada uma coisa em comum: o consumo desenfreado de produtos de beleza, moda, eletrodoméstico e alimentício. Em muitas cenas, atores fazem uso de muitos desses produtos e, geralmente, emitem comentários a respeito do objeto em questão.
É preciso estar atento para as mensagens subliminares ou até explicitas que são colocadas pelas telenovelas brasileiras, que, apesar de ser uma cultura de massa, atende uma camada mais privilegiada da sociedade, alienando e manipulando a classe popular, fazendo uso da publicidade para criar novos desejos de consumo que vão além das possibilidades financeiras da maioria de seus telespectadores.

REPORTAGEM: Ilha de Maré

Turismo Alternativo
Ilha de Maré
Um paraíso ecológico dividido em quatro praias.

Paloma Nogueira

A Ilha de Maré (16km quadrados de extensão) faz parte da Baia de Todos os Santos.É famosa pelo seu artesanato, culinária, mata atlântica, biodiversidade de espécies vegetais e animais, e pelas suas quatro praias: Santana, Itamoabo, Praia Grande e Praia das Neves, sendo que as três primeiras possuem povoado.
Para chegar é necessário pegar um barco que sai do Centro Náutico da Bahia, do subúrbio de São Tomé de Paripe, percorrendo 13km. O terminal opera com linhas que saem a cada 40 minutos para a Praia de Itamoabo das 8:30 até as 17:30.
Ao chegar, os passageiros precisam entrar na água e percorrer uma distancia de cinco a dez metros até a areia, onde se deparam com casinhas à beira mar, restaurantes de comidas típicas como por exemplo, banana na palha (doce facilmente encontrado em qualquer ponto das praias), além artesãos de castaria de cana brava e ainda pode visitar a comunidade negra no povoado de Praia Grande. Com 10 minutos de barco, na nascente da ilha, encontra-se o museu dos escravos de valor histórico do início do século XVII.
As rendeiras da ilha produzem uma arte centenária passada de mãe para filha chamada de Renda de Bilro. São toalhas de mesa, blusas e outros acessórios produzidos artesanalmente utilizando objetos de madeira como ferramenta de trabalho.
Manifestações culturais religiosas são encontradas nos meses de janeiro (Festa de Nossa Senhora das Candeias) e agosto (Festa de Nossa Senhora das Neves), que são realizadas pela população em festas de largo com barracas e fogos.
A Ilha de Maré possui hoje cerca de 12 mil habitantes, em uma área de 1.378,57 hectares e 16 Km de extensão que seduz o turista pela sua beleza paradisíaca e cultura popular.

Texto adicional:
PRAIAS
Praia de Itamoabo:
Águas mornas e rasas e cristalinas, propícia para o banho em todos os períodos da maré.
Praia das Neves:
É o trecho considerado mais belo, com vegetação ao longo da costa, mar calmo praticamente sem onda, a areia apresentam formações rochosas, margeadas por mangue.
Praia Grande:
Com mangue e pedra e muitas conchas. Aí vive a festeira comunidade negra nagô.
Satana:
O trecho dessa praia é de mangue e muita pedra, sendo imprópria para banho

CRÍTICA: O preço de uma verdade

O PREÇO DE UMA VERDADE

Paloma Nogueira

O filme: O preço de uma verdade (Shattered Glass) lançado em 2003 (EUA) pelo estúdio Lions Gate Films INS., com direção e roteiro de Billy Ray, baseado em artigo de Buzz Bissinger, edição de Jeffrey Ford, tem no núcleo de elenco principal: Hayden Christensen (Stephen Glass), Peter Sarsgaard (Charles Lane), Chloë Sevigny (Caitlin Avey) e Rosário Dawson (Andy Fox). Foi gasto o valor de U$$6 milhões para produzir o filme baseado em fato real.

O drama se passa em Washington onde o jovem jornalista, Stephen Glass, é contratado por uma importante revista: The new republic, que faz parte da leitura de bordo do presidente dos Estados Unidos. Acontece que o ambicioso rapaz tende ascender fazendo-se o mais popular, carismático e competente dentro da equipe, até que sua farsa é descoberta por uma grupo de jornalistas do Forbes On line. Glass criava suas notícias e fontes, formando uma teia de “informações”, forjando suas matérias ilusórias que ilustram praticamente todo o seu trabalho publicado no The new republic.

O personagem real descrito no filme declarou a agência Associated Press o quanto se arrepende de ter forjado as matérias e que tem feito tratamento psiquiátrico, para ajudá-lo a entender o porquê das atitudes realizadas em 1998, período o qual trabalhou na revista. E admite: “foi muito doloroso e difícil de assistir. Era um passeio pela pior parte da minha vida, que eu mais me sinto envergonhado. E pela qual me arrependo. Apesar disso, é um bom filme”.

A trama desenrolada em 103 minutos com o fundo musical de Michael Dana, apesar de ter recebido uma indicação para o Globo de Ouro para melhor ator coadjuvante e quatro indicações para o Independent Spirit Awards nas categorias de melhor filme, roteiro, fotografia e ator coadjuvante, é um filme fraco (salvo reflexão da ética jornalística) que não prende a atenção do público.