24.10.05

ENSAIO: Mulher

MULHER

Paloma Nogueira

Independente da época, a mulher sempre sofreu todos os tipos de discriminações possíveis e imaginárias. É absurdo aceitar que hoje, em pleno século XXI, depois de tantos anos de manifestações feministas, ainda aconteça, em numero tão alto, denuncias

de preconceito de gênero.

No período escravocrata do Brasil, a função da mulher era a de cuidar da casa, do marido, filhos e bordar. Era totalmente submissa ao "seu senhor". Tinha que “...conformar-se com as urgências de macho do seu pai de seus filhos e dar-se por satisfeita com as funções de comandante da escolha das rendas para adornar a casa e dos pratos para servir à mesa” (TOLEDO, 26-02-2003.), como se sua existência fosse apenas de uma boneca que anda e fala, tendo que viver de acordo com a vontade dos homens de sua família.

Um pouco afastadas da "casa grande", as negras viviam como bichos e eram obrigadas a uma longa e pesada jornada de trabalho. Muitas vezes, sofriam agressões físicas dos patrões como abuso sexual. Tinha os tendões arrancados quando tentavam fugir, dentes extraídos e língua cortada para não serem insolentes, além de ficarem amarradas ao troco para açoite quando não agradavam sues patrões.

Hoje, as mulheres negras vivem situações de preconceito e discriminação de forma muito clara. Devido a fatos históricos, o grau de escolaridade e acesso à saúde é menor do que as de pele clara. Geralmente moram em subúrbios e sua maioria trabalha como empregada doméstica ou acabam se afiliando a grupos de tráfico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro, onde seu tratamento é diferenciando no momento que é pega traficando fora da área estabelecida entre os negociantes do tráfico. Elas são “...detidas pela facção rival e devem ser resgatadas por taxas que podem chegar a R$1.500, quando não são oferecidas para os membros das escalões menores, pelos quais são obrigadas a terem relações sexuais com vários homens como punição pela invasão de território” (BENEDITO, 05-03-2004).

A cidade de Salvador, no estado da Bahia, é onde se concentra o maior número de negros do país e é também um dos lugares onde mais sofrem discriminações.
Os movimentos sociais, em relação à discriminação de gêneros, têm trabalhado pra reverter o quadro, mas para isso é necessário fazer com que a sociedade reflita. Muitas coisas já foram conquistadas, mas ainda tem-se muito o que lutar para garantir os direitos das mulheres.

O papel da mulher na história, sempre foi muito bem definido. O escritor Lúcio Cardoso, retrata no seu livro: Crônica da casa assassinada, uma sociedade mineira da década de 30. A personagem, Nina, era uma mulher com idéias e sentimentos além do seu tempo, diferente da cunhada, Ana, que era um retrato vivo da mulher de sua época. Submissa ao marido e à sociedade local.

Muita coisa mudou até hoje e a tendência é que essa revolução continue segundo em frente, porém uma coisa prevalece: o comportamento moral. Embora hoje as mulheres ocupem espaço nos centros acadêmicos e no mercado de trabalho, ainda a sustentação da família e da casa é delas. Nossa sociedade criou um pensamento de que o alicerce da família é a mulher e essa idéia continua embutida na consciência da maioria.

No filme: As horas (2003), os papéis são bem definidos entre as personagens as quais, vivem em épocas diferentes, contudo, elas tinham algo em comum que era a cobrança social pelo papel da mulher e elas se sentiam vazias e solitárias resultando no suicídio da protagonista que se reporta aos personagens do seu livro.

Papéis definidos também podem ser visto no filme do diretor Mike Newell: o sorriso de Monalisa (2003), onde uma professora revoluciona uma faculdade feminina Wellesley College (1953) onde o ambiente de sucesso é mantido pelo casamento de suas alunas. A professora de história da arte inspira suas alunas a pensarem que existem outras possibilidades além daquelas aparentes.

Em todas as épocas, no ocidente, sexo feminino ao mesmo tempo que é mais frágil também, deve ser o mais forte. A mídia enfatiza o poder da mulher através de produtos de beleza, vestuário, etc. de modo a criar uma ansiedade. Padrões de beleza são estabelecidos a todo momento, seja na tv, em músicas e anúncios publicitários. Elas têem que serem múltiplas: cuidas da casa, dos filhos, da carreira profissional e ainda da estética. "Temos é de "funcionar", temos de rir, de gozar, de ser belos magros, chiques, tesudos, em suma, temos de ser uma mímica dos produtos de ´qualidade total'...´O bode pós-moderno' é mais geral, masculino e feminino. É uma insatisfação, a sensação de estar aquém de uma felicidade prometida pela propaganda e pelo mercado, over-promises que não se cumprem"(Jabor,2003).

Vale concluir que, ainda hoje, em muitas das pequenas cidades onde o espírito provinciano ainda é forte, mulheres vivem e acreditam na submissão feminina e esse direito também deve ser respeitado.

Referências:

CARDOSO, Lúcio. Crônica da casa assassinada. Civilização Brasileira, 1ª edição, 1999.

FILME: As horas. Sthephen Daldry, 2003.

FILME: O sorriso de Monalisa. Mike Newell. 2003.

BENEDITO, Deise. Delírios, delitos e penas: as leis do morro e das mulheres. Art. Publicado em 05 de março de 2004.

TOLEDO, Roberto Pompeu de. A escreva que falava francês. Ensaio.

TOLEDO, Roberto Pompeu de. De volta à lógica do senhor de engenho. Revista Veja, 26 de fevereiro de 2003.

JABOR, Arnaldo. A depressão nos salva da alegria de mercado. Folha de São Paulo, 11 de março de 2003.

14.10.05

Homosexual e o preconceito

O HOMOSSEXUAL E O PRECONCEITO


A cada ano vem aumentando o número de manifestantes nas Paradas do orgulho de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT) em todo o país. Isso se deve ao fato de que as pessoas já estão se acostumando a dividir os mais variados ambientes sociais com indivíduos que antigamente eram vistos como portadores de uma doença ou que sofriam de algum tipo de distúrbio comportamental. Por muitas vezes, essa parte da população teve que se esconder nos guetos das grandes cidades para viverem suas vidas, pois a circulação destes nas avenidas e ambientes “familiares para pessoas descentes” era considerada imoral.
No filme Madame Satã, o ator Lázaro Ramos vive um personagem gay que retrata uma árdua realidade de um jovem negro da década de 30, analfabeto e morador de barro pobre (Lapa - Rio de Janeiro) onde sente na pele a humilhação e agressão física por parte dos policiais e patrões. Na trama ele adota uma criança e constitui um ambiente familiar ao lado da mãe da menina e um amigo, também homossexual, que vivem da prostituição.
Ainda hoje, a idéia de adotar uma criança por casais GLBT é um tabu, tanto para a comunidade heterossexual como homossexual. A questão mobiliza opinião publica, política e religiosa que defendem o direito da família formada pelo núcleo de pai e mãe exercendo seus papeis. Segundo o artigo publicado pela antropóloga Miriam Goldenberg para a Folha, 93% das lésbicas e 83% dos gays são a favor da adoção. Isso representa o valor familiar que elas têm a mais que os homens. O fato é que ainda não existe, no Brasil, uma lei que regularize casamento entre pessoas do mesmo sexo, e muito menos a adoção de crianças por esses casais. Enquanto isso, um número significativo da população brasileira vai saindo dos guetos e mostram a cara nas principais avenidas do país reivindicando seus direitos e quebrando um preconceito construído ao longo dos anos. E é assim que é feita a conquista social: por meio de batalhas e reivindicações até atingir o objetivo ideal.

Solidão dos imigrantes

A SOLIDÃO DOS IMIGRANTES

A saudade é uma palavra que só existe no nosso dicionário, talvez oriunda do grande número de imigrantes que povoaram o Brasil desde a sua “descoberta”.
Portugueses e espanhóis deixaram suas famílias, estrutura social e círculos de amizades para povoarem uma nova terra. Primeiramente usavam dos indígenas a força de trabalho e não saciados foram em busca dos africanos para trabalho escravo.
A bordo dos navios negreiros, tripulantes misturavam a água do oceano ao sal de suas lágrimas por terem sidos arrancados a força de sua terra. O filme Amistad, evidencia essa passagem dos escravos que foram extirpados de suas tribos e colocados a bordo na parte inferior de forma sub-humana.
Como tática dos traficantes de escravos, os africanos eram retirados de tribos diferentes, para que eles não pudessem se comunicar, pois cada tribo tinha sua própria língua, hoje conhecida erroneamente como dialeto.
Quando aqui chegavam, eram submetidos a humilhações e severas punições sendo considerados como objetos que produziam riquezas dos seus senhores. Muitos deles chegavam a morrer de uma doença chamada Bantu, conhecida como a doença da saudade, proveniente da amarga solidão.
Seu idioma deveria ser esquecido e aprender a língua portuguesa. Quando, enfim formavam família e vínculos afetivos no novo continente, seus “donos” decidiam que já era hora de se desfazer desse ou daquele, sofrendo assim uma nova separação.
Castro Alves, conhecido como o grande poeta dos escravos, retrata em seus versos a terrível amargura que povoava a realidade desse povo que viveu por muitos anos na esperança de retornarem a sua terra natal.
Paloma Nogueira, Clara Paixão e Dayane Trindade