Especialização em Educação Ambiental em Salvador
Doutor em Meio Ambiente, Nilson Fraga, fala a Ewé sobre importância da formação de professores em Educação Ambiental.
Por Paloma Nogueira
Salvador conta agora com especialistas em Educação Ambiental. O IBPEX (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Extensão) forma a primeira turma no Estado da Bahia e abre novas vagas para o próximo semestre. O objetivo do curso, com carga horária de 360h, é instrumentalizar profissionais para educar visando a sustentabilidade de forma multidisciplinar.
Em entrevista exclusiva para a Agência Ewé de Notícias Ambientais, o professor Nilson César Fraga, Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento, fala sobre a importância de formar especialistas em Educação Ambiental. Fraga é professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), da Faculdade Bagozzi, Faculdades Integradas Curitiba e do IBPEX. Ele tem oito livros publicados sobre sociedade e meio ambiente e é autor de mais de 30 artigos em revistas científicas no Brasil e no exterior.
Ewé - Qual a principal preocupação na formação desses profissionais em Educação Ambiental?
Nilson Fraga – Promover a Educação Ambiental num sentido teórico-prático, buscando a sensibilização inicial da comunidade escolar promovendo ações positivas e de responsabilidade socioambiental; promover mudanças de valores e comportamentos que estimulem uma melhor qualidade de vida; contribuir com a reflexão sobre o meio ambiente.
Ewé - Em quais áreas o especialista em Educação Ambiental está habilitado a trabalhar?
Fraga – A área de atuação é enorme, pois tal capacitação atinge vários ramos de atuação, passando pela escola, por empresas, órgãos estatais e Organizações Não-Governamentais que trabalhem com a relação sociedade e natureza, com política internas e externas de responsabilidade socioambiental.
Ewé - Qual a importância da formação em Educação Ambiental para os professores?
Fraga – No mundo globalizado assistimos a uma “guerra” de integração e desintegração na educação e no exercício da cidadania. Por isso, há a necessidade de compreendermos os problemas ambientais numa visão transdisciplinar que demanda a prática e a teoria de projetos ambientais com dimensões individuais e coletivas, priorizando o afetivo, o lúdico e o estético na ação de grupos, afim de torná-los co-participantes e conscientes desse processo.
A busca de novas soluções na educação deve estar presente na potencialidade do ser humano e na sua vida cotidiana. E quando há uma proposta na área complexa, como é a de educação ambiental temos sempre que avaliar as dificuldades e benefícios que permearam as propostas, fazendo reflexão sobre os valores éticos necessário ao contexto da comunidade escolar. Diante do exposto, uma questão se impõe: viabilizar um ensino que venha possibilitar ao aluno um maior comprometimento com o meio ambiente.
Ewé - Como o professor pode trabalhar a Educação Ambiental na perspectiva sistêmica?
Fraga – A Educação Ambiental é um processo permanente de formação, informação e orientação voltada à sensibilização e o desenvolvimento do senso de responsabilidade pelos recursos naturais. Ela possibilita uma mudança no modo que os indivíduos vêem o meio ambiente, buscando assim, mudanças de atitudes que gerem soluções para a questão da sustentabilidade ambiental, onde as unidades de conservação podem e devem ser utilizadas como instrumentos neste processo de formação, além daquelas de cotidiano, que envolvem a qualidade do ar na cidade, as erosões no campo, o esgotamento dos recursos hídricos urbanos e rurais, a saúde de forma geral, assim, a perspectiva sistêmica aparece e é trabalhada na coletada de tais dados, sua análise e planejamento, mas de forma geral, os pressupostos da Educação Ambiental visam forma um cidadão mais completo e neste sentido a subjetividade contida nas percepções e representações sociais são mais importantes nesta área do conhecimento.
Ewé - De que forma a Educação Ambiental pode se relacionar com as diversas disciplinas curriculares?
Fraga – A Educação Ambiental obrigatoriamente é interdisciplinar, pois quando não é percebida em seu todo, muitas vezes é aplicada como uma matéria estanque. Há produção cientifica que permite o conhecimento de numerosos projetos de Educação Ambiental em escolas, empresas, porém, sua forma estanque desvinculada do seu todo, ou seja, é trabalhada com um enfoque de uma determinada questão e é só. Existe uma preocupação por parte dos educadores em desenvolver um projeto pedagógico durante o ano letivo e muitos deles não conseguem globalizar a Educação Ambiental aos conteúdos curriculares, isto ocorre por que o conceito de Educação Ambiental não está bem definido, seja por parte dos educadores, orientadores e ou coordenadores.
A concepção de que os atos sociais refletem-se no meio natural, justifica a relevância da educação ambiental nas escolas. Uma possibilidade de assumir a transformação individual como meio para sociedade brasileira atingir, ao longo de um certo tempo, uma conduta ambiental responsável.
Ewé - Qual o maior desafio para criação de comunidades sustentáveis nos nossos tempos?
Fraga – Nas sociedades humanas com mais de 20.000 habitantes se torna praticamente impossível viver em sustentabilidade devido a complexidade do modo de vida moderno e suas exigências energéticas. Porém muitos efeitos deletérios da vida em sociedade e a degradação que ela geral podem ser mitigados por meio do processo participativo de execução do plano de ação entre as instituições e a comunidade, com o objetivo de buscar soluções de ordem social, econômica e ambiental. De forma sucinta, esta metodologia socioambiental visando uma sustentabilidade mínima possui as seguintes características:
É um processo e não um momento estanque isolado;
É uma aprendizagem para o conjunto de pessoas presentes na área (população local e agentes externos), por meio da coleta de dados quantitativos, assim como uma leitura qualitativa e analítica dos mesmos com a apresentação dos problemas e potencialidades que serão apontados durante a análise local;
É um processo no qual os agentes externos buscam não apenas a identificação dos problemas de um local, mas principalmente a compreensão destes problemas na perspectiva e no conhecimento da população que ali vive;
Por intermédio do desenvolvimento de um Plano de Ação, o processo mantém a sua continuidade com a busca da implantação das práticas possíveis de serem aplicadas e que foram apontadas pela coletividade;
Manter a participação de todos os envolvidos por meio da efetivação do Plano de Ação ao longo do tempo, previamente estabelecido com um cronograma de atuação.
Ewé - Trazendo para a realidade das nossas escolas públicas onde os recursos são bem limitados, em que implica a realização da alfabetização ecológica defendida por Fritjof Capra?
Fraga – A alfabetização ecológica se faz fundamental, pois é na tenra idade que se “vai” formando um cidadão, mas sensível ao mundo vivido, Capra (2000, p. 226) como poucos evidencia a associação da visão cartesiana mecanicista do mundo, a influir em todas as ciências, com o pensamento ocidental, ao mostrar “o lado sombrio do crescimento”, o que lhe permite afirmar: “o excessivo crescimento tecnológico criou um meio ambiente no qual a vida se tornou física e mentalmente doentia”. Porém, tomando a Agenda 21 como base para a responsabilidade social, no Capítulo 36 que trata da promoção do Ensino, da conscientização e do Treinamento quando institui que: “As autoridades pertinentes devem assegurar que todas as escolas recebam ajuda para a elaboração de planos de trabalho sobre as atividades ambientais, com a participação dos estudantes e do pessoal. As escolas devem estimular a participação dos escolares nos estudos locais e regionais sobre saúde ambiental, inclusive água potável, saneamento, alimentação e os ecossistemas e nas atividades pertinentes, vinculando esse tipo de estudo com os serviços e pesquisas realizadas em parques nacionais, reservas de fauna e flora, locais de herança ecológica etc.” (AGENDA 21, 1992, p.168).
Ewé - Trabalhar com conscientização da escassez dos recursos naturais é importante pára toda a população do planeta. Como o educador pode ampliar esse trabalho para que não fique restrito a um projeto interdisciplinar?
Fraga – Todo projeto possui e permite ao educando uma visão maior e mais complexa do que o seu mundo vivido, ele transcende ao universalista ou global. Nesse início de século XXI, “a única utopia realista é a utopia ecológica e democrática”, consoante Souza Santos pondera (SOUZA SANTOS, B. Pela mão de Alice: o social e o político na pós-modernidade. São Paulo: Cortez, 2001, p. 43). É realista, porque se assenta num princípio da realidade que consiste na contradição crescente entre o ecossistema do planeta Terra, finito, e a acumulação do capital, tendencialmente infinita. É utópica, porque sua realização pressupõe a transformação global dos modos de produção da vida material, da maneira como as pessoas ganham a vida, “mas também do conhecimento científico, dos quadros da vida, das formas de sociabilidade e dos universos simbólicos e pressupõe, acima de tudo, uma nova relação paradigmática com a natureza”. O que só é susceptível “no caso de a relação entre a subjetividade e a cidadania ocorrer no marco da emancipação e não como até aqui, no marco da regulação”.
Ewé - É necessário o conhecimento de geologia e biologia para trabalhar nas escolas com nessa perspectiva?
Fraga – Não apenas geologia e biologia, mas todas as formas de conhecimento científico devem ser trabalhas (das artes a matemática), isto significa, então, que a transdisciplinaridade representa a dimensão, o alcance, a diversidade e a integralidade do conhecimento, fundamentais na formação do ser humano, que possibilita a interação do homem com o meio, a partir do estabelecimento de uma nova relação deste homem com o meio ambiente e a sociedade. Educação Ambiental seria então uma ação transdisciplinar, uma ação formativa e integrativa do conhecimento, isto porque, se considera também a sua "natureza holística" que busca a interação, trabalha o todo e não as partes.
Mais informações:
Rua Fernando Menezes de Góes 545 Sl 408 Edf Pituba Open Center (em frente ao Colégio Integral ) – Pituba, tels: 3492 1720/21 salvador@ibpex.com.br www.ibpex.com.br
documentos necessários:Cópia RG e CPF; Cópia frente/verso do dipoma de graduação; 01 foto 3x4; Cópia comprovante residência; Cópia de certidão de casamento,se for o caso.
15.10.06
REPORTAGEM - Brasil: depósito dos pneus
Brasil: depósito dos pneus
Por Paloma Nogueira e Dayane Trindade
No ano de 2000, o Brasil havia proibido a importação de pneus usados, assim como para todos bens utilizados para consumo ou uso como matéria-prima, como é previsto na Convenção de Basiléia. Porém o governo resolveu acatar a decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul em 2003, obrigando-nos a aceitar o limite de 130 mil pneus ao ano, remoldados no Uruguai. Desprezando questões ambientais importantes no processo, considerando apenas aspectos comerciais. Logo após a decisão do Mercosul, produtores de países europeus, como Reino Unido, Itália e Espanha, apelaram à Comissão Européia alegando supostos impedimentos à importação de seus lixos (pneus usados), informando que haveria prejuízos comerciais com o fim das exportações para o Brasil. A OMC (Organização Mundial do Comércio) nos obriga a comprar pneus remoldados de outros países, enquanto o nosso governo proíbe fábricas brasileiras de importar os mesmos produtos que também são usados como matéria-prima para a remoldagem.
Em uma oficina na Av. Tancredo Neves, o mecânico Genivaldo Ramos diz não saber o que fazer com os pneus que já não servem para recapiamento ou vulcanização. “Jogo nos grandes baldes de lixo espalhados pela cidade ou na estrada”, assume. Cerca de 130 pneus são jogados fora mensalmente na oficina de Genivaldo há mais de 12 anos, somando uma média de 18.720 abandonados na natureza por um só profissional. Na mesma Avenida encontramos uma outra borracharia que doa uma quantidade de pneu semelhante para grupos de reciclagem. “sempre passa alguém por aqui pedindo pneu para reciclagem. Não é uma instituição específica. São várias pessoas que pedem e agente dar. Estocamos tudo no fundo da borracharia que sempre aparece alguém”, conta o mecânico Wellington Suzarte.
O que fazer com os pneus que não servem mais para nada é a questão central que norteia discussões, sendo um desafio para todos os países do mundo. Alguns tentam resolver o problema mandando seus resíduos como uma solução ambientalmente adequada ou como uma ajuda humanitária para países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil. Nesse ano, a Europa proibirá aterros e eles vão ter que dar fim a 90 milhões de pneus. Pobres dos países como o Brasil...
Embora alguns representantes ambientalistas tenham se manifestado e representantes do governo tenham questionado durante a audiência pública, prevaleceu a força capitalista desenfreada.
A reciclagem parece ser a melhor opção para dar fim a esses objetos. No bairro de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, existe um parque que usa pneu na decoração, garantindo a diversão da criançada. Carol Almeida, 12, brinca diariamente na praça e diz: “Amo esse parquinho e acho muito legal usar o pneu no balanço porque é mais macio”, conta. Na praia de São Tomé de Paripe muitas crianças, como Gustavo Matos, 9, utilizam o pneu como bóia. “Gosto de brincar com o pneu na água e sempre consigo um novinho na borracharia perto da minha casa”, fala. A utilização do material que já não serve mais pode fazer a diferença quando transformado em objetos lúdicos, poupando o meio ambiente.
No ano passado cerca de 10 milhões de pneus para recauchutagem entraram no nosso país com a desculpa da baixa qualidade dos pneus nacionais, ocorrentes do desgaste inadequado, baixo poder aquisitivo da população e qualidade das nossas estradas, onde o sistema de transporte é baseado nas rodovias causando maior consumo de pneus. Vale lembrar que aqui são produzidos uma quantidade mais que suficiente para nossa nação.
Esse lixo europeu que é depositado aqui não é biodegradável e se queimado, libera substâncias cancerígenas. Armazenados, ocupam muito espaço além de servir de depositário para proliferação de mosquitos transmissores de doenças tropicais. Como aconteceu com a moradora do bairro Estrada das Barreiras, Grece dos Santos, 22, que presenciou a queimada de pneus de uma oficina ao lado da sua casa. “A fumaça invadiu minha casa, deixando o ar totalmente poluido além de uma grossa camada preta que se alastrava muito rápido em todo ambiente”, conta a comerciante que passou uma hora deitada no chão com sua família em busca de oxigênio. Depois do incidente, moradores da comunidade como Osmar Santos, 54, procurou tomar alguma providência em relação ao crime ambiental: “Procurei a oficina e tentei organizar um movimento na comunidade, mas não deu em nada”, conta o aposentado indignado. Segundo o morador, há sete meses não se queima pneu na região, mas o risco de poluição não diminuiu, pois os pneus são jogados em um matagal no fundo da borracharia. Os mecânicos procurados no dia 28 de setembro não quiseram comentar.
Curiosidades – Os pneus não são biodegradáveis, seu tamanho dificulta o armazenamento, se queimados libera substâncias tóxicas e cancerígenas, como dioxinas e furanos. Se jogados nos rios, obstruem passagem de água podendo causar alagamentos e se expostos ao tempo, retém água da chuva criando um reservatório de mosquitos da dengue, por exemplo.
o que diz a Lei? A Resolução 258/1999 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) prevê a destinação gradativa e o recolhimento de pneus usados. Contudo, parece não ser suficiente para eliminar os pneus estocados no Brasil.
A história do pneu: O pneu passou por muitas etapas até se tornar o que é hoje. No século 19 surgiu a idéia de montá-lo a partir de uma goma “grudenta” chamada borracha, que na época era utilizada para impermeabilizar tecidos. O americano Charles Goodyear confirmou por meio de experimentos que a borracha cozida em altas temperaturas com enxofre, ficava com textura elástica tanto no calor quanto no frio. Foi assim que se descobriu o processo de vulcanização da borracha que, além de dar o formato à roda, aumenta a segurança quando se freia e diminui as trepidações nos carros. No ano de 1845 os irmãos Michelin patentearam o pneu de automóvel. Depois o inglês Robert Thompson colocou uma câmara de ar dentro dos pneus de borracha maciça e a partir de 1888 começou a fabricação de pneus em larga escala. No Brasil, a produção ocorreu em 1934, quando foi implantado o Plano Geral de Viação Nacional, mas somente em dois anos depois aconteceu a concretização desse projeto quando foi instalada a Companhia Brasileira de Artefatos de Borracha que no primeiro ano fabricou mais de 29 mil pneus. Hoje, o Brasil é o sétimo na lista de produção mundial na categoria de pneus para automóveis e o quinto para caminhão, ônibus e caminhonetas.
Convenção de Basiléia - O que foi a Conferencia de Basiléia?
Foi uma Conferência diplomática promovida pelo PNUMA na cidade de Basiléia, Suíça. Ela ocorreu em março de 1988, onde 105 países e a Comunidade Européia assinaram a Convenção da Basiléia para o Controle dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua disposição. Mas o acordo só entrou em vigor em 1992. Em 2000 já eram 136 países participantes da convenção.
Alguns dos objetivos da convenção de Basiléia:
• minimizar a geração de resíduos perigosos
• proibir o controle de resíduos liberados por países em desenvolvimento;auxiliando-os com as economias e os resíduos por eles liberados;
• promover o monitoramento do tráfego ilegal de resíduos perigosos;
Resíduos considerados perigosos:
Resíduos com ligas de arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio, aparelhos ou restos de aparelhos elétricos/eletrônicos, etc..
Resíduos não perigosos:
Sucatas de ferro e aço, resíduos de cerâmicas, etc..
Por Paloma Nogueira e Dayane Trindade
No ano de 2000, o Brasil havia proibido a importação de pneus usados, assim como para todos bens utilizados para consumo ou uso como matéria-prima, como é previsto na Convenção de Basiléia. Porém o governo resolveu acatar a decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul em 2003, obrigando-nos a aceitar o limite de 130 mil pneus ao ano, remoldados no Uruguai. Desprezando questões ambientais importantes no processo, considerando apenas aspectos comerciais. Logo após a decisão do Mercosul, produtores de países europeus, como Reino Unido, Itália e Espanha, apelaram à Comissão Européia alegando supostos impedimentos à importação de seus lixos (pneus usados), informando que haveria prejuízos comerciais com o fim das exportações para o Brasil. A OMC (Organização Mundial do Comércio) nos obriga a comprar pneus remoldados de outros países, enquanto o nosso governo proíbe fábricas brasileiras de importar os mesmos produtos que também são usados como matéria-prima para a remoldagem.
Em uma oficina na Av. Tancredo Neves, o mecânico Genivaldo Ramos diz não saber o que fazer com os pneus que já não servem para recapiamento ou vulcanização. “Jogo nos grandes baldes de lixo espalhados pela cidade ou na estrada”, assume. Cerca de 130 pneus são jogados fora mensalmente na oficina de Genivaldo há mais de 12 anos, somando uma média de 18.720 abandonados na natureza por um só profissional. Na mesma Avenida encontramos uma outra borracharia que doa uma quantidade de pneu semelhante para grupos de reciclagem. “sempre passa alguém por aqui pedindo pneu para reciclagem. Não é uma instituição específica. São várias pessoas que pedem e agente dar. Estocamos tudo no fundo da borracharia que sempre aparece alguém”, conta o mecânico Wellington Suzarte.
O que fazer com os pneus que não servem mais para nada é a questão central que norteia discussões, sendo um desafio para todos os países do mundo. Alguns tentam resolver o problema mandando seus resíduos como uma solução ambientalmente adequada ou como uma ajuda humanitária para países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil. Nesse ano, a Europa proibirá aterros e eles vão ter que dar fim a 90 milhões de pneus. Pobres dos países como o Brasil...
Embora alguns representantes ambientalistas tenham se manifestado e representantes do governo tenham questionado durante a audiência pública, prevaleceu a força capitalista desenfreada.
A reciclagem parece ser a melhor opção para dar fim a esses objetos. No bairro de Paripe, no Subúrbio Ferroviário, existe um parque que usa pneu na decoração, garantindo a diversão da criançada. Carol Almeida, 12, brinca diariamente na praça e diz: “Amo esse parquinho e acho muito legal usar o pneu no balanço porque é mais macio”, conta. Na praia de São Tomé de Paripe muitas crianças, como Gustavo Matos, 9, utilizam o pneu como bóia. “Gosto de brincar com o pneu na água e sempre consigo um novinho na borracharia perto da minha casa”, fala. A utilização do material que já não serve mais pode fazer a diferença quando transformado em objetos lúdicos, poupando o meio ambiente.
No ano passado cerca de 10 milhões de pneus para recauchutagem entraram no nosso país com a desculpa da baixa qualidade dos pneus nacionais, ocorrentes do desgaste inadequado, baixo poder aquisitivo da população e qualidade das nossas estradas, onde o sistema de transporte é baseado nas rodovias causando maior consumo de pneus. Vale lembrar que aqui são produzidos uma quantidade mais que suficiente para nossa nação.
Esse lixo europeu que é depositado aqui não é biodegradável e se queimado, libera substâncias cancerígenas. Armazenados, ocupam muito espaço além de servir de depositário para proliferação de mosquitos transmissores de doenças tropicais. Como aconteceu com a moradora do bairro Estrada das Barreiras, Grece dos Santos, 22, que presenciou a queimada de pneus de uma oficina ao lado da sua casa. “A fumaça invadiu minha casa, deixando o ar totalmente poluido além de uma grossa camada preta que se alastrava muito rápido em todo ambiente”, conta a comerciante que passou uma hora deitada no chão com sua família em busca de oxigênio. Depois do incidente, moradores da comunidade como Osmar Santos, 54, procurou tomar alguma providência em relação ao crime ambiental: “Procurei a oficina e tentei organizar um movimento na comunidade, mas não deu em nada”, conta o aposentado indignado. Segundo o morador, há sete meses não se queima pneu na região, mas o risco de poluição não diminuiu, pois os pneus são jogados em um matagal no fundo da borracharia. Os mecânicos procurados no dia 28 de setembro não quiseram comentar.
Curiosidades – Os pneus não são biodegradáveis, seu tamanho dificulta o armazenamento, se queimados libera substâncias tóxicas e cancerígenas, como dioxinas e furanos. Se jogados nos rios, obstruem passagem de água podendo causar alagamentos e se expostos ao tempo, retém água da chuva criando um reservatório de mosquitos da dengue, por exemplo.
o que diz a Lei? A Resolução 258/1999 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) prevê a destinação gradativa e o recolhimento de pneus usados. Contudo, parece não ser suficiente para eliminar os pneus estocados no Brasil.
A história do pneu: O pneu passou por muitas etapas até se tornar o que é hoje. No século 19 surgiu a idéia de montá-lo a partir de uma goma “grudenta” chamada borracha, que na época era utilizada para impermeabilizar tecidos. O americano Charles Goodyear confirmou por meio de experimentos que a borracha cozida em altas temperaturas com enxofre, ficava com textura elástica tanto no calor quanto no frio. Foi assim que se descobriu o processo de vulcanização da borracha que, além de dar o formato à roda, aumenta a segurança quando se freia e diminui as trepidações nos carros. No ano de 1845 os irmãos Michelin patentearam o pneu de automóvel. Depois o inglês Robert Thompson colocou uma câmara de ar dentro dos pneus de borracha maciça e a partir de 1888 começou a fabricação de pneus em larga escala. No Brasil, a produção ocorreu em 1934, quando foi implantado o Plano Geral de Viação Nacional, mas somente em dois anos depois aconteceu a concretização desse projeto quando foi instalada a Companhia Brasileira de Artefatos de Borracha que no primeiro ano fabricou mais de 29 mil pneus. Hoje, o Brasil é o sétimo na lista de produção mundial na categoria de pneus para automóveis e o quinto para caminhão, ônibus e caminhonetas.
Convenção de Basiléia - O que foi a Conferencia de Basiléia?
Foi uma Conferência diplomática promovida pelo PNUMA na cidade de Basiléia, Suíça. Ela ocorreu em março de 1988, onde 105 países e a Comunidade Européia assinaram a Convenção da Basiléia para o Controle dos Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e sua disposição. Mas o acordo só entrou em vigor em 1992. Em 2000 já eram 136 países participantes da convenção.
Alguns dos objetivos da convenção de Basiléia:
• minimizar a geração de resíduos perigosos
• proibir o controle de resíduos liberados por países em desenvolvimento;auxiliando-os com as economias e os resíduos por eles liberados;
• promover o monitoramento do tráfego ilegal de resíduos perigosos;
Resíduos considerados perigosos:
Resíduos com ligas de arsênio, cádmio, chumbo e mercúrio, aparelhos ou restos de aparelhos elétricos/eletrônicos, etc..
Resíduos não perigosos:
Sucatas de ferro e aço, resíduos de cerâmicas, etc..
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