20.9.07

Evasão escolar na Bahia

A evasão escolar é um problema que vem atingindo todos os Estados brasileiros, principalmente na região Nordeste. Foi publicado no Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira, através Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), que no Estado da Bahia 6,89% das crianças e adolescentes até 14 anos estão fora da escola e 19,49% são analfabetos. Entre 12 a 17 anos de idade a evasão marca 13,95% e 6,98% de analfabetos.

Alguns programas em parcerias com o governo, universidades e até empresas privadas vêm sendo implantados nas instituições educacionais públicas como é o caso do projeto Nenhum a Menos. O trabalho foi desenvolvido pelo professor José Albertino Lordelo (Ufba) e por Nicléia Gama, vice-diretora da Escola Municipal Abrigo dos Filhos do Povo, no bairro da Liberdade, onde o trabalho já tem obtido resultados relevantes.
Sabemos que nossa constituição assegura que a educação é direito de todos, mas também temos consciência, seja por meio de números estatísticos ou seja através das nossas observações do que é publicado ou até mesmo vivenciado, que na prática isso não acontece. Diversos problemas são alegados pelos educadores como falta de estímulo, recursos escassos, desvalorização da categoria, falta de apoio psicopedagogico, entre tantas outras observações. Mas, apesar de tudo isso, esses profissionais estão lutando para oferecer uma educação de qualidade dentro de suas possibilidades.

No site da Secretaria de Educação do Estado cita o professor Paulo Afonso Garrido de Paula, que no artigo Educação, Direito e Cidadania diz que: “Garantidas a vida e a saúde de uma pessoa, a educação representa o bem mais valioso da existência humana, porquanto confere a possibilidade de influir para que os demais direitos se materializem e prevaleçam. Somente reivindica aquele que conhece, que tem informação, saber, instrução, e, portanto, cria e domina meios capazes de levar transformações à sua própria vida e historia. Se a ignorância é a principal arma dos exploradores, a educação é o instrumento para a transposição da marginalidade para a cidadania, única medida do desenvolvimento de um povo. Inexiste algo mais nobre do que socializar o conhecimento, de vez que aquele que ensina aprende o real sentido do saber, e aquele que aprende ensina o verdadeiro propósito de educar”, comenta.

Em entrevista para o site do jornal A Região, a Deputada Federal, Alice Portugal (PCdoB-Ba) diz que acredita na participação da sociedade para melhorias do sistema educacional do Estado por meio de cobranças dos políticos. “Lamentavelmente a terra de Anízio Teixeira e Rui Barbosa, o berço da cultura nacional, é hoje a campeã nacional em números absolutos de analfabetos. Será que o baiano tem menos capacidade de aprendizagem? Com certeza não é isso, é porque a oportunidade de acesso à escola ainda é baixa, mesmo com o Fundef. A Bahia continua com alto grau de evasão escolar e a qualidade ainda é absolutamente deficitária. Os professores ganham muito mal na Bahia e a APLB tem se debatido em greve e lutas gigantescas, da qual sou parceira integral. Na semana passada os professores estaduais fizeram uma paralisação pela certificação, o adicional de periferia, o reajuste digno. Só dois níveis irão receber o 8.15% do reajuste, uma situação absurda”, declara a Deputada.
Confira vídeos que tratam sobre o tema:






6.9.07

Comentário – UNE: democracia e nostalgia

É inegável a contribuição da União Nacional dos Estudantes (UNE) no processo histórico político educacional do país nos últimos 70 anos. Sempre atuante e com um foco democrático, essa entidade participou de várias manifestações, entre elas as de combates ao avanço das idéias nazi-fasistas durante a Segunda Guerra Mundial, lançaram uma campanha em 1947 chamada: “o petróleo é nosso”, que resultou na criação da Petrobrás e diversos movimentos ligados ao regime político brasileiro.
Hoje, embora muitas discussões apontem os jovens brasileiros como um grupo acomodado - talvez essa seja a idéia que as diversas mídias tentam mostrar por meio da publicidade e programas fúteis para esse público -, percebemos que boa parte deles se interessam e se envolvem com questões ligadas a política, economia e movimentos sociais.
Ao falar da UNE nos remetemos aos tempos do combate à ditadura com uma certa nostalgia (anos 60-70), quando haviam cerca 230 mil universitários cadastrados. Hoje, esse número sobe para 5 milhões. Mas o que isso quer dizer? Os estudantes atualmente são mais engajados? O número das faculdades cresceram em todo país a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e isso faz com que um número maior de pessoas ingressassem nas instituições de ensino.
Atualmente, a diretoria da União Nacional dos Estudantes está nas mãos da gaúcha Lúcia Stumpf (PCdoB), que milita há 25 anos e é a quarta mulher a se tornar presidente dessa instituição. Antes dela, a UNE teve Clara Araújo (1982/83), Gisela Mendonça (1986/87) e Patrícia De Angelis (1991/92) ocupando essa posição de destaque que, muitos consideram como uma escada para o poder, pois muitos dos antigos membros entraram no cenário da política brasileira.
A democracia é um dos temas mais fresados pela atual presidente. Ela pretende lançar debates ligadas ao meio ambiente, racismo, homofobia, legalização doaborto, das drogas, construir mais Circuitos Universitários de Ciência e Cultura.

Presidentes:

1938/39 - Valdir Borges
1939/40 - Trajano Pupo Neto
1940/42 - Luís Pinheiro Paes Leme
1942/43 - Hélio de Almeida
1943/44 - Hélio Mota
1945/46 - Ernesto da Silveira Bagdocimo
1946/47 - José Bonifácio Coutinho Nogueira
1947/48 - Roberto Gusmão
1948/49 - Genival Barbosa Guimarães
Abril-Julho 1950 - José Frejat
1950/51 – 1951/52 - Olavo Jardim Campos
1952/53 - Luis Carlos Goelver
1953/54 - João Pessoa de Albuquerque
1954/55 - Augusto Cunha Neto
1955-1956 - Carlos Veloso de Oliveira
1956/57 - José Batista de Oliveira Jr.
1957/58 - Marcos Heusi
1958/59 - Raimundo Eirado
1959/60 - João Manuel Conrado
1960/61 - Oliveiros Guanais
1961/62 - Aldo Arantes
1962/63 - Vinícius Caldeira Brant
1963/64 - José Serra
1965/66 - Antônio Xavier/Altino Dantas
1966/68 - José Luiz Guedes
1968/69 - Luís Travassos
1969/71 - Jean Marc van der Weid
1971/73 - Honestino Guimarães
1979/80 - Rui César Costa Silva
1980/81 - Aldo Rebelo
1981/82 - Javier Alfaya
1982/83 - Clara Araújo
1983/84 - Acildon Paes Leme
1984/86 - Renildo Calheiros
1986/87 - Gisela Mendonça
1987/88 - Valmir Santos
1988/89 - Juliano Coberllini
1989/91 - Cláudio Langone
1991/92 - Patrícia De Angelis
1992/93 - Lindberg Farias
1993/95 - Fernando Gusmão
1995/97 - Orlando Silva Júnior
1997/99 - Ricardo Capelli
1999/01 - Wadson Ribeiro
2001/03 - Felipe Maia
2003/05 – 2005/06 - Gustavo Petta
2007... - Lúcia Stumpf

Notícia - Ministro da Educação quer que empresários invistam nas escolas públicas

O Ministro da Educação, Fernando Haddad, defendeu essa semana a parceria entre o governo federal e empresários. O objetivo é trabalhar parcerias no campo de responsabilidade social das entidades com o Plano de Desenvolvimento de Educação.
Segundo o ministro, o MEC tem dados do desempenho das 40 mil escolas públicas existentes no país e isso ajuda a selecionar quais delas deverão ter prioridade. Haddad lembra que não basta pensar nos ganhos imediatos em curto prazo na capacitação do trabalhador atual. É importante pensar se os filhos desses trabalhadores estão tendo acesso a uma educação de qualidade.
Em um discurso do ministro, ao receber a medalha do Ministério Industrial, na sede da Federação das Industrias do Rio de Janeiro, ele declarou que a questão vem sendo discutida pelo Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), que envolve as entidades privadas que investem recursos para os fins públicos por meio de projetos sociais, ambientais e culturais. Segundo publicação do site da Agência Estado, “a idéia é fazer com que os recursos que já são destinados às escolas cheguem àquelas que mais necessitam de apoio imediato para superar suas necessidades”, afirmou o ministro. "O plano ainda está sendo traçado”. Segundo o mesmo site, Ao VivoHaddad disse ainda que está para ser lançado nos próximos dias o primeiro edital para que as universidades públicas possam apresentar projetos científicos para pleitear os recursos previstos na Lei de Incentivo Fiscal à Pesquisa. Os projetos qualificados farão parte de um catálogo a ser presentado à iniciativa privada. "As empresas que decidirem financiar as pesquisas poderão abater até 85% da doação do Imposto de Renda. O empresário pode arcar ainda com o que faltar para o financiamento total da pesquisa, e ele terá participação na propriedade intelectual”, afirmou o ministro.