14.10.08

Inep apresenta dados sobre os cursos de Pedagogia do país


O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) apresenta dados alarmantes referentes aos cursos de graduação em Pedagogia. A pesquisa foi realizada em 37 faculdades de educação do país e constatou que os currículos não preparam para a prática docente.
Segundo a pesquisa, 7% do total dos universitários brasileiros cursam Pedagogia, o que representa cerca de 281 estudantes. Desses, 24% desistem do curso.

O que mostra a pesquisa:

Pouco valor à prática Apenas:
28% das disciplinas do currículo tratam sobre o "quê" e "como" ensinar.
Segmentos desvalorizados:
Somente 11% das disciplinas se referem a modalidades de ensino, como Educação de Jovens e Adultos ou Educação Infantil.
Currículo sem foco:
Não há clareza sobre os conhecimentos básicos para a formação do professor: 56% das disciplinas são oferecidas por apenas uma instituição.
Estágio pro forma:
Os estudantes apenas observam aulas nas escolas, sem orientação adequada e conhecimentos sobre didáticas específicas.
Longe da realidade:
A palavra "escola" é citada em 8% das ementas de disciplinas, mostrando que a universidade está alheia à sala de aula.
Seleção ineficiente:
Nos concursos públicos, apenas 31% das questões tratam do "quê" e "como" ensinar.

Segundo Mara Conceição que cursa o 5 º semestre de Pedagogia, sua graduação tem oferecido mais uma reflexão sobre a educação brasileira do que uma análise da prática em sala de aula: “só temos aulas de didática de ensino no final do curso e isso não nos ajuda a refletir sobre uma prática pedagógica”, afirma. Joelma Silva, Pedagoga, concorda com a pesquisa embora acredite que seu curso foi muito proveitoso: “desde o primeiro semestre a turma já teve contato com um ambiente escolar por meio de estágios, além de disciplinas de didática que trabalharam com diferentes eixos temáticos, possibilitando uma maior reflexão sobre como ensinar”.



Fonte

INEP * Em 2006 **

Estimativa com base em dados do Inep ***

O dado se refere à pesquisa com base em 35 concursos distribuídos por todo o país

USP gradua primeira turma indígena em Pedagogia


Na semana do professor, oitenta novos pedagogos são diplomados pela USP (Universidade de São Paulo). De acordo com a Secretaria de Educação do Estado, esses novos educadores compõem a primeira turma só de indígenas já formada por uma escola de ensino superior do país.
Os formandos já trabalham em escolas das 30 tribos existentes no Estado, ministrando aulas para alunos até a 4ª série do Ensino Fundamental I. Eles foram selecionados e graduados através de uma iniciativa do governo paulista para que possam atuar também nas turmas de 5ª a 8ª série.
O MEC (Ministério da Educação) exige que professores do Ensino Fundamental II tenham a chamada licenciatura plena. Já uma lei vigente no Estado de São Paulo proíbe que professores não-índios dêem aulas em escolas de aldeias. Por isso, a necessidade de graduar os professores indígenas.
Vivem no Estado cinco etnias indígenas: Guarani, Tupi-Guarani, Terena, Kaingang e Krenak. Cerca de 1.500 índios estudam em escolas instaladas em tribos, segundo a secretaria.

Nordeste tem pior índice de analfabetismo


A região Nordeste tem os piores percentuais de analfabetismo segundo pesquisa realizada pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Aplicada). Apresentada no dia 13 de outubro, o instituto constatou que entre 2006 e 2007, uma redução de 0,4 ponto percentual no índice de analfabetismo. De acordo com pesquisadores, o Brasil deve levar cerca de dois anos para alcançar o tempo estipulado pela Constituição para que toda a população conclua o ensino fundamental de nove anos.
Segundo a mesma pesquisa, o Nordeste apresenta um percentual de 20% de analfabetos enquanto a região Sul tem 5,4%. Para os pesquisadores, a erradicação do analfabetismo no Brasil levará, pelo menos, 20 anos. "Ainda é um índice muito baixo. Nosso sistema convive com uma estrutura de defasagem, o que torna o sistema muito ineficiente. Poderíamos ter um sistema muito mais eficiente e isso tem reflexos pedagógicos", afirmou o diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abraão em entrevista para o site Folha OnLine. "Estamos longe para conseguir a educação básica", disse ele.
A maior população de analfabetos está na região rural, com 23,3%, enquanto a menor na área urbana com 4,4%. Os negros são os mais afetados pelas dificuldades registrando 14,1% entre os analfabetos, enquanto os brancos ocupam 6,1%.
De acordo com os dados, os analfabetos se concentram principalmente entre as pessoas com mais de 40 anos, que ocupam 17,2% dos percentuais, enquanto os jovens que têm de 15 a 17 anos ocupam apenas 1,7%.