14.3.09

Educação indígena – Desafio para consolidar a formação de professores

Apenas 30% têm ou estão cursando o nível superior


Um dos principais desafios é a formação de professores de nível superior para a educação indígena no país. Segundo o coordenador geral da Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), Gersem Baniwa, atualmente existem 2,5 mil escolas indígenas, nas quais atuam 12 mil professores. Desse total, 10 mil são índios. No que diz respeito a formação, 80% do total de professores possuem magistério indígena e 30% têm ou estão cursando o nível superior.
De acordo com Baniwa em entrevista concedida a Agência Estado, a capacitação desses profissionais está sendo feita por meio do Programa de Apoio Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind). O programa oferece o curso em licenciatura intercultural por meio de parcerias entre o MEC e as universidades públicas. As instituições montam os cursos e o ministério cuida do financiamento. O curso de licenciatura intercultural, na opinião de Baniwa, é fundamental para que seja desenvolvido um projeto pedagógico próprio para a população índia. Historicamente, a educação oferecida aos povos indígenas no Brasil tem sido escolas pensadas e administradas pelos não-índios, lembrou.

8.3.09

Educação de Jovens e Adultos – Formação de professores


A Educação de Jovens e Adultos é um grande desafio, pois as iniciativas para formação do educador nessa modalidade de ensino, no âmbito da universidade, ainda são mínimas diante da demanda social, pois boa parte da população não tem ou não completou o curso de educação básica.
A EJA (Educação de Jovens e Adultos) é uma denominação recente no país, embora a escola noturna para adultos seja uma prática antiga, com características que permanecem até hoje. A UNESCO nos mostra, através de dados, que o número de analfabetos no mundo tem aumentado e o Brasil cresce cada vez mais essas estatísticas que pode ser explicado através de uma série de problemas relacionados não apenas às metodologias e a não formação específica dos professores, mas também a problemas econômicos e sociais. A EJA deve desenvolver o conhecimento e a integração na diversidade cultural, como é defendido por autores como Gadotti. Nessa perspectiva, deve-se ter em mente uma educação para a compreensão mútua, contra a exclusão por motivos de raça, sexo, cultura ou outras formas de discriminação e, para isso, o educador deve conhecer bem o próprio meio do educando, pois somente conhecendo a realidade desses jovens e adultos é que haverá uma educação de qualidade. Considerando a própria realidade dos educandos, o professor conseguirá promover a motivação necessária à aprendizagem, despertando neles interesses e entusiasmos, abrindo-lhes um maior campo para o alcance do conhecimento. O jovem e o adulto querem ver a aplicação imediata do que estão aprendendo e, ao mesmo tempo, precisam ser estimulados para resgatarem a sua auto-estima. Assumir uma proposta pedagógica significativa e relevante são condições básicas para que possa incentivar o conhecimento, o auto-conceito positivo e a confiança na própria capacidade de aprender, desses jovens e adultos ao retornar à escola.
Partindo do principio de que o aluno é capaz de aprender e de que a interação (professor-aluno) é fator fundamental na construção do conhecimento, faz-se necessário promover uma dinâmica de atuação pedagógica que valorize os conhecimentos que os alunos já possuem, promovendo o avanço para níveis mais elaborados através do questionamento, da busca de informações e do confronto de idéias. A apropriação do conhecimento é um processo dinâmico, e acreditar que todos são capazes de aprender implica um novo redimensionamento para a prática pedagógica.
A proposta pedagógica deve atender ao ritmo de cada aluno, sem atribuição de rótulos, com um olhar otimista, com respeito a seus diferentes modos de vida, aos conhecimentos que trazem, estimulando-os a vencer obstáculos de modo confiante, valorizando seus progressos e promovendo sua auto-estima. O professor deve levar o educando a: refletir e pesquisar sobre variados temas, como o desemprego e o custo de vida, com base em investigações realizadas na própria turma; produzir relatos orais e escritos revelando memórias; formar grupos por áreas de interesse; desenvolver projetos; valorizar as habilidades, sua produção e sua profissão; elogiar a capacidade de pensar e construir idéias, principalmente quando alguém demonstrar que se sente incapaz ou inseguro; promover debates e contextualizar novas informações e estabelecer relações com o cotidiano.
Enfim, a educação de jovens e adultos é um processo de construção pessoal e social que se dá na interação com o mundo concreto, na história, no cotidiano, nas relações que o homem estabelece com a natureza e com a sociedade.

O jornalismo e a dimensão social


A atual dimensão jornalística está intimamente ligada a uma abordagem social vinculada à idéia de espaço e tempo, que delimita uma compreensão de necessidades, interesses e expectativas de forma coletiva referente aos conteúdos a serem abordados. O jornalismo é um instrumento de uso social com um histórico que vem propor a explanação de fatos de interesse público com características da atualidade e de relevância ao publico que é diferenciado e amplo. É por meio da notícia – forma operativa jornalística – que o jornal opera, envolvendo aspectos de linguagem e conteúdos de uso coletivo, além de aspectos classificatórios, ou seja, hierárquico.
A atualidade no jornalismo e a construção da verdade, deve-se primeiro compreender atualidade (jornalística) como fotos temporais do cotidiano de interesse público, ou seja, de relevância pública. O conteúdo jornalístico funciona como um elo social de afirmação que a sociedade é homogênea, onde todos os fatos podem ser padronizados por meio de relatos jornalísticos, exercendo assim um papel de construtor da realidade, dando um sentido de proximidade entre os fatos e a população, manifestando um sentido de coletividade e orientação por meio de recursos para que o indivíduo mantenha-se informado a respeito de questões públicas e de interesse para ele. A atualidade jornalística não se prende apenas nas questões temporais do que já aconteceu. Um conteúdo também é atual, pois ele apresenta sentidos de relevância pública, compondo outros dados que são partilhados pelo público na vida social.
Autores como Traquina, defendem que a notícia é um culto de fatos que são oferecidos para os leitores uma diversidade de informações que são relatadas de forma sensacionalista. A atualidade é o primeiro e mais importante critério de notícia, pois, busca contextualizar fatos sociais por meio de narrativas que obedecem uma estrutura de acontecimentos. A idéia de aproximar a atualidade da realidade, partindo do pressuposto de que o jornalismo é a construção da realidade, demanda uma reformulação teórica de grandes proporções, pois a questão além de polemica é filosófica. A objetividade no jornalismo parte das técnicas de apuração e edição de informações obtidas pelo repórter que interpreta o acontecimento e o julga relevante para ser publicado traduzindo de acordo com seus valores e observações. Já Nilson Lage acredita que, embora muitos teóricos afirmem que essas novas perspectivas de grandes circulações de informações irão criar uma anulação quanto ao exercício profissional do jornalismo, uma vez que todos poderão publicar livremente em ciberespaços e até mesmo nas mídias tradicionais com a chamada “colaboração”, o que surge, segundo Lage, é uma maior democratização das informações não anulando a profissão do jornalista uma vez que existem critérios de informações além da idéia de seriedade passada pelos órgãos de imprensa.
A atualidade é o princípio organizador de uma notícia baseado nos valores noticiosos que fazem parte da rotina editorial resultando em um recorte fragmentado da realidade social. A visibilidade pública do leitor diante os fatos torna a reportagem significativa naquela comunidade. A seleção de fontes, relações entre o entrevistador e entrevistado, valores de ética, entre tantos outros, o diferencial será a pesquisa do fato antes de entrar em contato com a fonte. Essa pesquisa não deve ser realizada apenas com o material enviado pela assessoria da fonte ou informações de caráter pessoal. O repórter deve saber interpretar tabelas, investigar, entrevistar o máximo de pessoas possíveis, revisar dados para então entrevistar. Esse poder discutido deve levar em consideração a responsabilidade social que a notícia deve ter, não reduzindo a notícia em uma simples história ligada a negócios.

Natureza do texto jornalístico digital – Aprendizagem Colaborativa


Criar um espaço onde os profissionais da comunicação possam criar. Esse é o desafio de toda empresa de comunicação do mundo todo, pois o “novo” vende e aumenta as possibilidades de atrair publicidade, gerando crescimento da instituição. A internet tem sido alvo de todas as atenções dessas grandes empresas midiáticas. A cada dia, novos portais são criados e o número de acesso é crescente a cada dia. A questão é: como criar no ciberespaço um ambiente atrativo para o leitor que busca informação não linear, navegando por meio dos hipertextos?
Na web, é possível encontrar, basicamente, quatro tipos de conteúdos: estático (uma informação que não sofre alterações ou mudanças), dinâmico (são as últimas notícias que são atualizadas por minuto) funcional (funciona como uma busca de informações encontradas nas barras ou menus) e o interativo (interação do leitor por meio de correios eletrônicos, o que aproxima o consumidor do autor do conteúdo). O texto escrito para o jornal impresso é diferente do que é exclusivo para a internet. Existe uma problemática nessa mídia que é a dificuldade que o internauta tem de realizar a leitura através da tela do computador. Segundo pesquisas realizadas no campo da linguagem, esse tipo de leitura é 25% mais lenta do que se fosse feita em uma página de jornal ou revista, pois as luzes do monitor é um dos principais vilões.
Para um texto ficar atrativo nesse ciberespaço, o jornalista deve usar palavras mais simples, ser direto, evitar conjunções desnecessárias e criar elementos que atraia o leitor. A web é um espaço totalmente flexivo e a criatividade pode ser uma das ferramentas chave. Por ser um ambiente não linear, as informações devem está completas e claras, oferecendo links para dar possibilidade de se aprofundar mais em um tema específico. É bom observar se o nome do link realmente traduz o conteúdo nele encontrado, pois, muitas, vezes eles não são equivalentes, criando assim uma idéia diferente sobre o que se pensa e o que realmente existe naquela nova página. O desenvolvimento do conteúdo por meio de links é um dos fatores que podem ser determinantes na escolha do site por parte do leitor. Nesse ambiente encontraremos tipos de leituras como o superficial (movimentação rápida dos olhos para verificar o material), varrimento (o leitor focaliza as partes que mais se sente atraído), intensiva (quando o leitor quer uma informação mais apurada) e extensiva (muitos preferem imprimir para ler, pois se torna cansativa).
É importante saber como escrever para o veículo on line. Cuidados como escolha de palavras e prioridades na elaboração do texto é decisiva. O redator deve desenvolver o conteúdo de forma clara, mostrando o posicionamento das suas fontes e, muitas vezes ele trabalha como sendo o próprio editor ao revisar diversas vezes o texto. O primeiro passo é realizar uma pesquisa diante o tema, depois deve-se organizar todas as informações priorizando o mais relevante e eliminando ou optando por links para informações adicionais. O repórter/editor deve escrever seu texto sendo o mais claro e conciso possível para depois editar, dando uma roupagem específica para aquela notícia e depois verificar se está tudo da forma mais adequada ao espaço que será publicado.
Planejar a estrutura da notícia é fundamental. Alguns aspectos como: pano de fundo, elementos multimídia, elementos visuais, etc. são importantes em uma ilustração, o que pode atrair ainda mais o leitor. Nesse espaço, a pirâmide invertida é uma técnica que da certo. O leitor que informações precisas e rápidas e essa estrutura irá proporcionar o que ele deseja. Deve-se ter cuidado também no uso dos adjetivos, anos e décadas, aspas, endereços e evitar também clichês ou metáforas elaboradas. Uma dica importante é substituir números por tabelas. A aprendizagem colaborativa se dá nesse espaço por meio da interatividade (jornalista e leitor) de forma dinâmica e direta.

O hipertexto na internet


O hipertexto tem sido tema de muitas discussões no meio acadêmico, pois ele trás características muito marcantes das atuais formas de expressões no ciberespaço. Essa nova forma de construir um texto para o espaço virtual, onde o leitor é diversificado e não segue a linha de leitura convencional como a de um jornal impresso, por exemplo, apresenta diversas formas de linguagens: gráficos, áudio, vídeo, interatividade, etc. O consumidor desse tipo de mídia virtual busca coisas diferentes que podem ser atendidos por meio dos links, dando a ele um maior aprofundamento diante o tema buscado. Esse leitor deseja uma forma mais rápida de se interar do que está acontecendo e dessa forma eles têm o lead convencional (estrutura de uma matéria jornalística), mas, caso queiram compreender mais afundo sobre o tema pesquisado na internet, ele pode acessar os links que fornecerão mais dados específicos como é o caso dos links que apresentam tudo que já foi publicado anteriormente.
Para autores como Adorno e Horkheimer da Escola de Frankfurt, a unilateralidade dos meios de comunicação e a formação do pensamento das massas se dão por meio das produções e valorização dos bens culturais. Contra essa idéia, Thompson, Habermas, Kellner, entre tantos outros autores vêm mostrar a teoria baseada na bilateralidade, contrapondo o pensamento dos frankfurtianos. Para esses teóricos, a rede web possibilita a construção coletiva por meio da hipertextualidade, ou seja, a comunicação cooperativa.
Acredito que o caminho mais prudente seja propor uma nova forma de se construir textos para o ciberespaço, uma vez que a tendência atual é realmente a uma leitura fragmentada por meio de hiperlinks que tendem a tomar a dimensão desejada pelo leitor que navega entre os portais da internet, buscando não um padrão fixo, mas um texto dinâmico que possibilite parar ou continuar a ler a matéria. Por isso, o lead se faz necessário, mas também não se deve prender a um padrão, pois o internauta sabe o que quer. Isso também nos faz pensar na questão gráfica que é muito importante nesse formato jornalístico. Algumas empresas midiáticas, principalmente do jornalismo impresso, têm buscado inovar em seus sites fazendo uso de ferramentas que dêem ao leitor todo suporte que ele desejar como ferramentas de áudio e vídeo, espaço para interatividade entre outros. Para um texto ficar atrativo nesse ciberespaço, o jornalista deve usar palavras mais simples, ser direto, evitar conjunções desnecessárias e criar elementos que atraia o leitor. Nesse ambiente encontraremos tipos de leituras como o superficial (movimentação rápida dos olhos para verificar o material), varrimento (o leitor focaliza as partes que mais se sente atraído), intensiva (quando o leitor quer uma informação mais apurada) e extensiva (muitos preferem imprimir para ler, pois se torna cansativa). A web é um espaço totalmente flexivo e a criatividade pode ser uma das ferramentas chave. Por ser um ambiente não linear, as informações devem está completas e claras, oferecendo links para dar possibilidade de se aprofundar mais em um tema específico. É bom observar se o nome do link realmente traduz o conteúdo nele encontrado, pois, muitas, vezes eles não são equivalentes, criando assim uma idéia diferente sobre o que se pensa e o que realmente existe naquela nova página. O desenvolvimento do conteúdo por meio de links é um dos fatores que podem ser determinantes na escolha do site por parte do leitor.

Concluo assim que a bilateralidade no ciberespaço vem a fortalecer o movimento da interatividade, contribuindo para a desconstrução de padrões de notícias (gênero literário formal), possibilitando uma dinâmica contextualizada e acessível para todos a qualquer hora e local de forma participativa e cooperativa.