14.3.10

Educadores e a reflexão da prática pedagógica

O professor é responsável por estimular habilidades e competências por meio dos conteúdos escolares, mas o que fazer quando esse profissional não consegue atingir seus objetivos?

Refletir sobre a prática pedagógica é o ponto de partida para um trabalho cada vez mais rico. Com isso em mente, muitos educadores têm utilizado diferentes recursos para expressarem suas idéias e angustias. Seja por meio de blog, sites de relacionamento, diário de bordo ou grupo de estudo, essa reflexão traz grandes resultados. Contudo, é fundamental que a atividade seja constante.
A revista Nova Escola publicou reflexões da prática de grandes teóricos da educação:

LINO MACEDO

Professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Lecionou nas séries iniciais do Ensino Fundamental.

"Eu falava demais e escutava pouco."
"Comecei a dar aula com 18 anos, em 1962, numa escola de uma vila rural perto de São José do Rio Preto, a 447 quilômetros de São Paulo. Percebo que, naquela época, cometia com frequência o erro de passar tempo demais falando em sala de aula. Eu tinha uma ânsia de explicar os temas, de expô-los pela fala. Acho que diversos educadores passam por isso.

Muitos professores, e eu sou um deles, defendem que o aluno precisa ter um papel ativo, que faça atividades, que questione e participe do processo de ensino e aprendizagem. Mas, contraditoriamente, tomamos grande parte da aula para nós, deixando pouco espaço para a turma - eu, até hoje, preciso seguir atento em relação a isso. Aí mora um problema: como exigir que as crianças sejam ativas se a única coisa que elas podem fazer enquanto falamos é escutar? Gerir a participação delas é difícil: requer tempo, experiência e domínio da sala de aula.

Esse ensino verbalista, centrado na ininterrupta transmissão de informação, é um dos grandes equívocos da Educação no século 21. Seu modelo é o da mídia. Basta pegar o exemplo de um telejornal: em dois minutos, apresentam-se diversas reportagens, entrevistas e números. Reduzir o ensino a esse formato e ceder à pressão por velocidade é um erro. O processo de construção de conhecimento é baseado em muita análise e reflexão. É necessário, sobretudo, ouvir os alunos com uma escuta ativa, com interesse verdadeiro sobre o que eles querem comunicar. Algo que ainda sigo aprendendo."

REGINA SCARPA

Coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. Foi professora de Educação Infantil.

"Eu negava o papel do professor."

"Atuei como professora de Educação Infantil nos anos 1980, uma época em que as concepções sobre a infância estavam sendo reconceituadas. Seguíamos muito as ideias de Jean Piaget (1896-1980) e Célestin Freinet (1886-1966), que na França destruiu o tablado que separava e elevava o professor para questionar sua autoridade e conferir um papel mais ativo aos alunos. Mas a vontade de combater a centralidade do educador era tanta que acabamos focando apenas os pequenos. Todos os relatórios de sala começavam assim: ‘De acordo com o interesse dos alunos, fomos pesquisar os... jabutis' - ou qualquer outro tema. Na prática, era o professor quem escolhia. Afinal, numa sala com 20 ou 25 crianças, cada uma se interessa por uma coisa. Mas a intencionalidade tinha de ficar escamoteada.

Hoje, sabemos que o papel do professor deve ser exercido às claras. Se levássemos ao extremo a noção de trabalhar com o interesse infantil, somente abordaríamos o que já se sabe porque a criança gosta apenas do que conhece. Devemos também trazer temas que nós julgamos importantes. Para promover a aprendizagem, o professor deve ter um papel ativo, saber aonde quer ir e como chegar lá. Isso só ficou claro para mim durante meu mestrado, quando tomei o trabalho pedagógico como objeto de análise e reflexão. Pude entender que a época em que comecei era um momento de transformação, parte de um processo de busca de equilíbrio na relação professor/aluno."

Os textos de Lino Macedo e Regina Scarpa foram retirados do site da Revista Nova Escola

6.3.10

IPCA: Educação tem o maior nível desde 2008

Notícia retirada do site: http://globo.com

Ag. Reuters, por Rodrigo Viga Gaier


RIO DE JANEIRO (Reuters) - O reajuste das mensalidades escolares pressionou a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em fevereiro, levando-a ao maior patamar desde maio de 2008 e encerrando o bimestre com forte alta.

Como o começo do ano concentra pressões sazonais -de alimentos e educação- e 2010 contou ainda com o reajuste de tarifa de ônibus em algumas capitais brasileiras, a expectativa é de que a taxa arrefeça a partir de março.

O indicador subiu 0,78 por cento em fevereiro, contra alta de 0,75 por cento em janeiro e avanço de 0,55 por cento em igual mês de 2009, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Analistas previam em uma pesquisa da Reuters uma taxa de 0,80 por cento para fevereiro, de acordo com a mediana de 30 estimativas que variaram de 0,70 a 0,95 por cento.

Os preços de Educação saltaram 4,53 por cento no mês passado, sendo responsáveis por 41 por cento do índice do mês. As mensalidades e os materiais escolares costumam ser elevados no começo do ano letivo. Outros índices de inflação captam o movimento em janeiro, enquanto o IPCA, por diferenças metodológicas, apura isso em fevereiro.

As mensalidades escolares tiveram a maior contribuição de alta para o IPCA de fevereiro de 0,26 ponto, com elevação de 5,38 por cento.

Outros grupos que apresentaram aceleração dos preços entre janeiro e fevereiro, embora bastante discretas, foram Habitação e Comunicação, para, respectivamente, 0,31 e 0,03 por cento. Os demais subiram em ritmo inferior.

Os custos de Alimentos avançaram 0,96 por cento, levemente abaixo da alta de 1,13 por cento no mês anterior. O clima quente e de chuvas desta época do ano prejudica a colheita de produtos in natura, diminuindo a oferta e elevando os preços sobretudo em janeiro, mas com resquício em fevereiro. O açúcar é outro foco de pressão.

As maiores altas entre os produtos alimentícios em fevereiro foram de açúcares refinado e cristal, tomate, leite pasteurizado e arroz.

Os preços de Transportes também desaceleraram a alta, mas ainda seguem altos, devido ao reajuste do ônibus em São Paulo e Salvador, que pressionou o grupo em janeiro. Em fevereiro, a alta foi de 0,79 por cento, contra 1,45 por cento no mês anterior.

O IPCA acumulou alta de 4,83 por cento em 12 meses até fevereiro, a maior taxa desde maio de 2009. No ano, o avanço é de 1,54 por cento.

(Por Rodrigo Viga Gaier)