1.5.10

71% das bibliotecas municipais do país não têm internet


O Ministério da Cultura divulgou, a partir do Censo Nacional das Bibliotecas Nacionais, que 71% das bibliotecas públicas municipais não disponibilizam acesso à internet aos usuários e 445 cidades brasileiras ainda não disponibilizam desse serviço.

Segundo reportagem publicada no site da Folha pela repórter Johanna Nublat da Sucursal de Brasília, a falta de acessibilidade foi classificada como "gravíssima" por Fabiano Piúba, diretor de livro, leitura e literatura do ministério. Segundo ele, a responsabilidade por essas bibliotecas é principalmente dos municípios. O governo federal, diz ele, tem o papel de definir políticas públicas e instigar as prefeituras a disponibilizarem esses equipamentos culturais. Para tentar alterar a situação, o ministério pretende investir R$ 30,6 milhões na modernização e construção de bibliotecas públicas brasileiras. Prefeituras e Estados podem se inscrever até o dia 15 de junho no edital de convocação.

De acordo com a reportagem publicada pela Folha, a pesquisa também mostra que 91% das bibliotecas não têm ferramentas que permitam a utilização por deficientes visuais (como livros em braile e audiolivros). Os dados apontam que 8% dos municípios brasileiros não possuem bibliotecas públicas mantidas pela prefeitura. Existem bibliotecas ainda em fase de implantação ou de reabertura em 13% dos municípios. Ou seja, funcionando de fato, há bibliotecas públicas municipais em 79% das cidades. Também há disparidades regionais em relação às estruturas existentes e ao comportamento dos usuários. O Sul, por exemplo, é a região que oferece o maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes (1.127 bibliotecas para cerca de 28 milhões de pessoas); já o Norte contabiliza o pior índice (310 bibliotecas para pouco mais de 15 milhões de habitantes). Por outro lado, os nordestinos são os que mais frequentam as bibliotecas (2,6 vezes por semana), segundo o censo. Sudeste e Sul têm a menor média de visitações (1,6 vezes por semana).

O censo mapeou as bibliotecas públicas municipais em todas as cidades brasileiras. Foi feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), ao custo de R$ 3,7 milhões, pagos pelo Ministério da Cultura.