9.4.09

Universidades particulares adotam o novo modelo de vestibular baseado no Enem

A participação das instituições de ensino superior privadas no novo modelo do Enem deverá ser detalhada nos próximos dias. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, o conceito do novo exame será na verdade uma combinação do Enem com o vestibular. O novo Exame Nacional do Ensino Médio - Enem, pretende substituir o atual modelo de vestibular para ingresso na educação superior.
Para Fernando Haddad em entrevista para o jornal O Globo, o novo exame pode servir de fase única de processo seletivo com muito mais "flexibilidade e inteligência" do que no atual. Ele reconheceu a criatividade das particulares nos vestibulares e justificou a participação dessas instituições de ensinos no novo Enem.
“O setor privado sempre tenta inovar do ponto de vista dos processos seletivos, mas se nós tivéssemos uma métrica única nós poderíamos ter um impacto muito favorável nos processos avaliativos da educação superior”, detalha.
Segundo o presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), Abib Cury, a proposta sinaliza como um avanço. Segundo ele, um número significativo das IES particulares já aproveita os resultados do atual Enem em seus processos seletivos.
“Para o ingresso dos alunos, muitas instituições já consideram a nota do Enem junto com as notas do aluno no ensino médio para classificarem o estudante, muitas vezes o dispensando da prova do vestibular”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo. No entanto, Abib Cury prefere esperar o detalhamento a ser feito pelo Ministério da Educação (MEC) para avaliar se a adesão será realmente interessante para as IES particulares.
O ministro explicou que o novo exame pode trazer benefícios para as instituições do ponto de vista da avaliação. Segundo ele, hoje o esforço que a instituição faz por vezes para recuperar o aluno que veio deficiente da educação básica, não é medido.
“Uma das queixas que se faz é que o Enade é aplicado no final do primeiro ano, quando muitas instituições já atuaram fortemente sobre o aluno para corrigir deficiências acumuladas ao longo da educação básica. Assim, o esforço da IES fica perdido e não é medido, já que esse exame é comparado com o exame do final do quarto ano”, diz o ministro.
Como o esforço de recuperação que a instituição faz não é medido, o empenho gasto não agrega no IDD, que compara os resultados de calouros e concluintes, medindo a contribuição específica do curso, independentemente do nível de conhecimento anterior ao vestibular. Segundo o ministro, esta situação estaria superada com o novo Enem.
Para que o novo Enem emplaque de maneira decisiva, a adesão nos processos seletivos seria um ingrediente substancial para corrigir essa distorção do IDD. De acordo com a proposta o índice conhecido no Sinaes como V0, seria o novo Enem.
“Se o V0 for o novo Enem, estaria resolvido o problema dramático de instituições que fazem um grande esforço para melhorar as condições do ensino no primeiro ano”, afirma o ministro.